maputo, casa elefante, capulanas

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A capulana amarrada à cintura a fazer de saia é o que de mais comum se encontra em quase todas as mulheres que vi na rua. Não consegui e também não podia fotografar todos os padrões que encontrei, mas a variedade é enorme. E quanto mais colorido melhor.


Depois de ter estado no mercado municipal, de que tanto gostei e onde me arrependi de não ter comprado especiarias para as minhas experiências com os tingimentos de tecidos e lãs que andei a fazer há uns tempos atrás, atravesso a rua e mesmo em frente encontro a Casa Elefante.
Seguindo as indicações de quem normalmente está bem informada sobre onde procurar sítios assim  não podia ir a Maputo sem passar por aqui.
Digamos que o problema depois de lá entrar é sair de mãos vazias.

Obedeci ao nosso simpático guia e guardei a máquina fotográfica. Por isso a imagem anterior é o melhor que consegui e é uma pequena amostra do que se encontra dentro da loja: paredes cobertas de capulanas até ao tecto.
O processo de escolha é difícil por causa da variedade, mas os empregados são muito simpáticos e pacientes. Com a ajuda de um ponteiro comprido vamos apontando os padrões que queremos ver e eles vão retirando, abrem o pano e mostram, e apesar da desarrumação que fiz a boa vontade manteve-se igual até ao fim. 
De acordo com a informação de um dos donos as capulanas já não se fazem em Moçambique e estas são todas importadas da India.
Procurei escolher de vários tipos: as primeiras que são as mais baratas (cerca de 180 meticais) e que achei interessantes por serem muito parecidas com as "madras" indianas com o padrão axadrezado, as segundas que são as minhas favoritas com os padrões mais tradicionais e que eram as que tinham em menor variedade de escolha, as da terceira fotografia que correspondem a padrões mais modernos do tipo geométrico, e por fim na última fotografia as que existiam em maior variedade e de preço intermédio que quanto a mim são as menos interessantes mas que mesmo assim achei que valia a pena trazer.




Agora que revejo as fotografias não sei como é que me contive e não trouxe mais umas quantas ...
Muito difícil resistir garanto ...

maputo, mozambique

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África. Não era a minha opção mas admito (a quem sabe, se ler isto) que estava errada e que esta foi de facto uma grande escolha. 
Dos meus calmos serões de Inverno à lareira em Janeiro dei um pulo gigante até ao Verão de Moçambique e voltei.
Aterrar novamente em Lisboa este fim-de-semana foi extremamente difícil e voltar à rotina na 2ª feira foi ainda mais complicado. Tenho uma dor de cabeça tipo moinha que me acompanha desde que cheguei e apesar do fuso horário ter só uma diferença de duas horas a mudança de ambiente é tão mas tão radical e o contraste é tão grande que ainda estou com alguma dificuldade em perceber bem o que se passa aqui por casa.
Algumas coisas a registar:
- a simpatia "enoooooooorme" e o sorriso constante acompanhado de um olhar que parecia tão meigo de todos os moçambicanos que encontrámos;
- embora não fosse novidade continuo a ficar surpreendida quando oiço falar português tão longe de casa (a onze horas de vôo de distância),
- a cidade de Maputo. Que achei "bonita" depois de me habituar à imagem de destruição e degradação que sofreu por causa dos anos de guerra. Embora nunca lá tenha estado antes em alguns sítios tive uma estranha sensação de algo familiar como se estivesse em Lisboa,
- facto curioso, quase todas as recuperações dos antigos edifícios que vimos aconteceram a partir de 2012 ou 2013, 
- muitas obras em curso por empresas chinesas,
- as qualidades artísticas fantásticas desta gente, nos graffitis das paredes, nas esculturas de madeira, em n coisas que estão por todo o lado,
- o colorido da roupa e dos lenços que punham à cabeça,
- turismo é coisa que praticamente não existe e não é possível passar despercebido,
- apesar da simpatia, e apesar dos anos que já passaram o ressentimento em relação aos portugueses e ao colonialismo ainda me pareceu estar quase sempre presente, embora não o refiram directamente,
- a consciência crua e dura que qualquer moçambicano tem do que se passa no seu país e a amargura nas palavras por não conseguirem mudar o que sabem estar errado,
- e, por último, adorava poder lá voltar um dia.
As fotografias foram difíceis de conseguir porque andar pela rua de máquina na mão alegremente e despreocupadamente a tirar fotografias não é possível.
Tantos rostos que ficaram por registar, tantas imagens que gostava de ter guardado e não pude ...
Esta era a vista do quarto do hotel onde ficámos: a Catedral "como lhe chamavam os portugueses", e depois as ruínas de um prédio que está assim desde a independência porque "o português fugiu com as plantas" e agora ninguém sabe como acabar (!), o prédio com a fachada lindíssima de azulejos amarelos dos anos 60.



Uma tímida fotografia à distância, numa rua junto à estação, de uma criança a ser carregada às costas da mãe. São imagens deliciosas e todas transportam os filhos pequenos assim. Seria impossível usar um carrinho de bebê nestas ruas, e desta forma é muito mais agradável (e prático) de certeza.
Uma das fantásticas esculturas, que para mim são obras de arte dignas de museu (tipo "ready-made" diria eu que não percebo nada do assunto :)). Esta está na escola francesa e foi feita a partir de peças de motorizadas Kawasaki e outra marca cujo nome já não me lembro.
Restos das munições (de defesa dos portugueses suponho eu) que estão em exposição no interior do forte da cidade.
Imagens do mercado municipal. Elas e eles com ar de frete a olhar para nós do tipo "que é que estes andam aqui a fazer a tirar fotografias e a filmar".  Pela quantidade de fotografias de seguida sobre o mesmo dá para perceber que adoro visitar estes mercados. :)



A lindissima, lindissima, fachada da estação de caminho de ferro, lindissimamente recuperada. Lá dentro é um encanto.
Ainda a estação de caminho de ferro, cuja arcada exterior me lembrou um bocadinho de Lisboa.
Um exemplo da forma como pintam o exterior das casas para anunciar que tipo de serviço ou trabalho podem prestar a quem precise. Este é um exemplo entre muitos.
Fizemos um passeio, que hei-de registar depois, que nos obrigou a fazer cerca de quatro horas de carro (para percorrer mais ou menos 150Km) e estas são as imagens do que vemos à beira da estrada e que me parecem ser uma constante de vida da grande maioria dos moçambicanos.


Independentemente de tudo o resto crianças serão sempre crianças e cada vez aprecio mais a liberdade que lhes é inerente.
 Despedi-me de Maputo assim. Da mesma janela do mesmo hotel onde tinha chegado dias antes. Um céu com umas cores fantásticas do pôr-do-sol, a temperatura absolutamente perfeita, e a certeza absoluta de lá querer voltar (é verdade "meu querido"! quem diria, hã? afinal estavas absolutamente certo ... :).



dos serões de Inverno

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Este mês de Janeiro a maior parte dos nossos serões de Inverno têm sido passados junto à lareira. A ver "House of Cards". E eu a crochetar estas flores do livro "100 Flowers to Knit and Crochet" que já tinha comprado há uns anos mas do qual nunca tinha tentado fazer nada antes.
Por causa de um trabalho que tive que entregar no último semestre tive que fazer uma amostra que utilizava flores em crochet aplicadas sobre tule de seda (salvo erro é este o nome que se dá a este tule mais fininho e mais macio). 
Peguei-lhe o gosto e tenho-me entretido e deliciado no meio deste colorido. Por enquanto estou a guardá-las nesta caixa que já vai quase a meio. Mas o objectivo será utilizá-las para uma ideia que tive e que não sei bem ainda se irá resultar.
Devo confessar que esta coisa da série de televisão mais o crochet está a ser um bocadinho viciante, mas está a saber-me muito bem este "mood so cosy" como diria provavelmente a minha filha Marta.  

o "statement"

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... que me interessa dizer para mim própria e enfiar de vez na cabeça está inscrito algures e é exactamente assim:
"Live fully.
Love deeply.
Laugh loudly."
Não é coincidência por ser no início de um novo ano.
E não é apenas por este ano. É para a vida.
É importante que me lembre disto todos os dias a partir de agora.

já depois do natal

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O Natal é uma das minhas festas preferidas aqui em casa.
Eu diria mesmo que é a "festa".
E até agora tem sido possível que assim seja.
Depois de tempos bem difíceis sinto finalmente alguma tranquilidade.
Pelo menos a suficiente para voltar a escrever por aqui.
Sem tempo para planear fosse o que fosse num registo quase igual ao de outros anos fui eu que pus a mesa com a ajuda da Mariana e uma ajudinha da Marta.
A ideia do presépio no centro da nossa mesa de Natal surgiu por volta das cinco da tarde de sexta-feira dia 23 que foi mais ou menos quando comecei a preparar tudo.
Nunca me tinha ocorrido antes mas acho que foi o melhor sítio onde alguma vez o poderia colocar.
Às vezes a urgência e a falta de tempo faz destas coisas. Leva-nos ao "essencial" e ao que realmente importa.
Hoje já é dia 26, mas com um bocadinho de imaginação ainda é tempo de desejar um Feliz Natal e um Bom Ano de 2017 com tudo de bom. Vendo bem as coisas, "possível" é uma palavra que existe no nosso dicionário e na qual temos que acreditar.

recomeçar e da tecelagem em tear

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As aulas já começaram há uma semana.
Embora já tenhamos começado com as rotinas do costume ainda não sinto completamente o "peso" do fim das férias. A verdade é que já estamos em Lisboa há um mês e isso permitiu-nos fazer um "soft landing"; lentamente fomos adaptando o nosso ritmo e, com calma e um bom planeamento, conseguimos preparar-nos para começar Setembro sem muito stress (pelo menos até agora).
Este bom tempo com muito calor e bastante sol também tem ajudado muito para não pensarmos no Outono que se aproxima e nas rotinas quase "militares" que caracterizam o "ano lectivo".
Até começarem as aulas andei entretida a fazer algumas mudanças nos quartos dos meus filhos (que, não sei porquê, é algo que sempre me apetece fazer quando volto das férias). Sem pressas mudei mobília de sítio, pendurei quadros, e dei-lhes um novo "ar" a aproveitar o pretexto de ter que fazer umas arrumações. Quando finalmente me vi livre das arrumações dos quartos passei ao meu quarto "das costuras" que estava uma confusão enorme.
Antes de começar as férias em Julho a vontade de arrumar fosse o que fosse era nula. O que me apetecia era sair de casa e andar a passear. "Despejei" literalmente todos os livros, desenhos, materiais que fui espalhando pela casa durante as minhas aulas e fechei a porta até ao final de Agosto fazendo de conta que não existia um sítio assim em minha casa (que vergonha! :)).
Este fim-de-semana resolvi que já não dava para adiar mais, consegui torná-lo habitável de novo, e com dedicação, paciência, e também por necessidade (confesso) lá consegui desimpedir o caminho até à máquina de costura para fazer uns "arranjos" que fui adiando até não poder mais (é verdade que de vez em quando tem que ser, embora toda a gente que me conhece já esteja avisada que não faço "arranjos" :)).
No meio das minhas arrumações estava esta mini peça de tapeçaria feita por mim que aparece nas fotografias. Não estava esquecida mas, como tantas outras coisas, estava algures no meio do caos à espera de vez para ser arrumada ou, neste caso, pendurada.
No início de Julho estive num workshop na Retrosaria onde conheci a Vânia Oliveira da "TWO Hands Textile Studio" e adorei fazer este workshop com ela. Foram 4h que passaram a correr.
É claro que não saí da Retrosaria sem trazer um tear. A minha intenção era fazer alguma coisa nas férias mas esqueci-me das lãs em Lisboa e portanto não deu.
Por coincidência, por essa altura também, numa das minhas idas à Livraria Barata ao sábado de manhã encontrei esta revista da "Mollie Makes", a nº 67 de Maio, que trazia além das bonecas de feltro da Shelly Down da Gingermelon um tutorial sobre como fazer estas pequenas peças de iniciação à tapeçaria.
Digamos que agora não tenho desculpa para não estrear o meu tear, até porque a Mariana também já se mostrou interessada.
Entretanto, assim que puder devo voltar à Retrosaria para o workshop 2 de Tecelagem em Tear.


a caminha da boneca

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Este fim-de-semana trouxe para casa esta cama de bonecas para a Mariana.
Passámos dois dias em Avis e no sábado de manhã demos um saltinho até à feira de antiguidades e velharias de Estremoz.
Andava por lá e (talvez influenciada por estas imagens inspiradoras que tenho visto ultimamente da Constança Cabral) quando vi esta caminha não resisti. O colchão não me parecia estar em muito boas condições mas achei-a tão encantadora que não consegui deixar de a trazer comigo!
Desde o Verão que ando a fazer umas bonecas para as minhas filhas que, para surpresa minha, apesar de maiorzinhas continuam a gostar destas coisas.
Primeiro com a Mariana que resolveu fazer uma de feltro para oferecer à Marta, e depois com a Marta que no outro dia a pretexto de ajudar a Mariana a arrumar o seu quarto andou a pentear as barbies da irmã.
A ideia de fazer estas bonecas não é por acaso. Além da experiência de as fazer pela primeira vez, já há uns meses atrás através das minhas aulas na faculdade tinha chegado à conclusão que é mais simples, rápido, e económico simular moldes e costurá-los com estes tamanhos mais reduzidos do que no real. Mas isso será tema para outro dia ...
Entretanto, o que interessa é que embora a pobre da boneca de trapos ainda não tenha roupa a cama já não lhe falta.


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