recomeçar e da tecelagem em tear

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As aulas já começaram há uma semana.
Embora já tenhamos começado com as rotinas do costume ainda não sinto completamente o "peso" do fim das férias. A verdade é que já estamos em Lisboa há um mês e isso permitiu-nos fazer um "soft landing"; lentamente fomos adaptando o nosso ritmo e, com calma e um bom planeamento, conseguimos preparar-nos para começar Setembro sem muito stress (pelo menos até agora).
Este bom tempo com muito calor e bastante sol também tem ajudado muito para não pensarmos no Outono que se aproxima e nas rotinas quase "militares" que caracterizam o "ano lectivo".
Até começarem as aulas andei entretida a fazer algumas mudanças nos quartos dos meus filhos (que, não sei porquê, é algo que sempre me apetece fazer quando volto das férias). Sem pressas mudei mobília de sítio, pendurei quadros, e dei-lhes um novo "ar" a aproveitar o pretexto de ter que fazer umas arrumações. Quando finalmente me vi livre das arrumações dos quartos passei ao meu quarto "das costuras" que estava uma confusão enorme.
Antes de começar as férias em Julho a vontade de arrumar fosse o que fosse era nula. O que me apetecia era sair de casa e andar a passear. "Despejei" literalmente todos os livros, desenhos, materiais que fui espalhando pela casa durante as minhas aulas e fechei a porta até ao final de Agosto fazendo de conta que não existia um sítio assim em minha casa (que vergonha! :)).
Este fim-de-semana resolvi que já não dava para adiar mais, consegui torná-lo habitável de novo, e com dedicação, paciência, e também por necessidade (confesso) lá consegui desimpedir o caminho até à máquina de costura para fazer uns "arranjos" que fui adiando até não poder mais (é verdade que de vez em quando tem que ser, embora toda a gente que me conhece já esteja avisada que não faço "arranjos" :)).
No meio das minhas arrumações estava esta mini peça de tapeçaria feita por mim que aparece nas fotografias. Não estava esquecida mas, como tantas outras coisas, estava algures no meio do caos à espera de vez para ser arrumada ou, neste caso, pendurada.
No início de Julho estive num workshop na Retrosaria onde conheci a Vânia Oliveira da "TWO Hands Textile Studio" e adorei fazer este workshop com ela. Foram 4h que passaram a correr.
É claro que não saí da Retrosaria sem trazer um tear. A minha intenção era fazer alguma coisa nas férias mas esqueci-me das lãs em Lisboa e portanto não deu.
Por coincidência, por essa altura também, numa das minhas idas à Livraria Barata ao sábado de manhã encontrei esta revista da "Mollie Makes", a nº 67 de Maio, que trazia além das bonecas de feltro da Shelly Down da Gingermelon um tutorial sobre como fazer estas pequenas peças de iniciação à tapeçaria.
Digamos que agora não tenho desculpa para não estrear o meu tear, até porque a Mariana também já se mostrou interessada.
Entretanto, assim que puder devo voltar à Retrosaria para o workshop 2 de Tecelagem em Tear.


a caminha da boneca

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Este fim-de-semana trouxe para casa esta cama de bonecas para a Mariana.
Passámos dois dias em Avis e no sábado de manhã demos um saltinho até à feira de antiguidades e velharias de Estremoz.
Andava por lá e (talvez influenciada por estas imagens inspiradoras que tenho visto ultimamente da Constança Cabral) quando vi esta caminha não resisti. O colchão não me parecia estar em muito boas condições mas achei-a tão encantadora que não consegui deixar de a trazer comigo!
Desde o Verão que ando a fazer umas bonecas para as minhas filhas que, para surpresa minha, apesar de maiorzinhas continuam a gostar destas coisas.
Primeiro com a Mariana que resolveu fazer uma de feltro para oferecer à Marta, e depois com a Marta que no outro dia a pretexto de ajudar a Mariana a arrumar o seu quarto andou a pentear as barbies da irmã.
A ideia de fazer estas bonecas não é por acaso. Além da experiência de as fazer pela primeira vez, já há uns meses atrás através das minhas aulas na faculdade tinha chegado à conclusão que é mais simples, rápido, e económico simular moldes e costurá-los com estes tamanhos mais reduzidos do que no real. Mas isso será tema para outro dia ...
Entretanto, o que interessa é que embora a pobre da boneca de trapos ainda não tenha roupa a cama já não lhe falta.


de um mail em férias, das coincidências, e da Tate

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Estávamos de férias num sítio maravilhoso. Num momento de verdadeira contemplação em frente ao mar eis que vem um "mailzinho" e informa-nos que seria necessário ir a Londres daí a uma semana. Bastava ir num dia e voltar no outro mas era necessário ir.
Foi assim que passei de uns agradáveis 36ºC em Faro para uns menos agradáveis 25ºC em Londres.

Este Verão um dos livros que li, que gostei bastante, e no qual aprendi imensa coisa foi escrito por Will Gompertz que foi um dos últimos directores da Tate Modern.
O tal do mail chegou exactamente na altura em que eu estava a terminar de ler este livro.
E o nosso hotel, descobri eu depois, ficava a dez minutos a pé da Tate.
Coincidências ... Sem sequer o ter planeado tive a oportunidade de o revisitar depois de ter lido as 490 páginas de um livro onde se explicava o porquê que justificava a escolha de muitas ou das principais obras que compõem a sua colecção.
Digamos que podia ter servido de guia se alguém me tivesse acompanhado.
Bastou-me atravessar a Millennium Bridge e dei logo com uma das principais entradas.

Da última vez que lá tinha estado ainda estavam a decorrer as obras no exterior e na recuperação de uma grande parte do edifício, e por isso não tinha esta noção da sua grandiosidade.
 Nem tinha tido a oportunidade de ver ao vivo uma das obras de Ai Weiwei.
Apesar de me ter ocupado uma manhã inteira ainda não foi desta que consegui completar a visita a toda a colecção. E sendo a visita da colecção permanente grátis resolvi que não valia a pena estar a gastar dinheiro nas exposições temporárias.
Houve imensas obras que ainda não conhecia ou de que não me lembrava.
Este quadro foi uma das pinturas que mais gostei. Ao vivo impressiona. Data de 1938 e também porque o vestido foi feito pela mãe da personagem do retrato a partir de um modelo da Vogue. E eu sou sensível a este tipo de descrições que envolvam palavras como "patterns" e "sewing" :)
E depois, como não podia deixar de ser, esta réplica da obra mais conhecida de Marcel Duchamp, um clássico que constitui um dos marcos de mudança da história da arte moderna e contemporânea.
Depois de ouvir falar tanto dela e a ter estudado não podia deixar de a procurar. Continuo a não entender muito bem como se pode pagar tanto por algo assim. E fico pasmada cada vez que a observo, mas desta vez já sei o porquê da sua existência e importância.
Além da visita à Tate, sobrou ainda algum tempo para vaguear.
Já com companhia fui até Lambs Conduit Street (segundo o The Guardian uma das que vale a pena visitar quando se procura comércio genuíno e original). Confirmo. A rua é muito pequena, mas muito "simpática", e todas ou quase todas as lojas são pequenas e engraçadas e vale a pena visitar.
Uma loja de alfaiate. Como eu gostava um dia de ter algo assim só um bocadinho parecido ou próximo disto ... (suspiro) ... (suspiro) ... (muitos suspiros) ...

Uma fotografia de uma das esquinas.
E saindo dessa rua, a caminho de Convent Garden (mais um clássico mil vezes revisitado), passámos por uma rua muito nossa conhecida onde existe um pequeno restaurante onde normalmente estão sempre muitos taxistas a almoçar ou a jantar. E onde também calha jantarmos de vez em quando, bem e barato (o que normalmente é difícil em Londres).
E depois foi andar sem destino capturando uma imagem ou outra de coisas que gosto ou que me chamaram a atenção.
As mangas da camisa.

Os alfinetes de peito.

A casa de bonecas.

As cores do conjunto de edifícios.

12 horas depois estava de volta ao calor e à praia mas soube-me mesmo bem esta escapadinha inesperada de um dia a Londres. 


uma manta feita de camisas

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Como de costume rumámos a sul para terminarmos as nossas férias grandes de Verão.
Para uma casa onde temos sido sempre felizes à conta de estarmos juntos e de termos a sorte de desfrutar de um sítio fantástico onde a liberdade do tempo, do espaço, e do silêncio (se o desejarmos) nos deixam recarregar "baterias" devidamente e em paz.
As manhãs são de praia e as tardes são para o que se quiser. Há quem continue a dormir a sesta, há quem leia embalado na "rede", há os que ficam todos engelhados por não sairem da piscina, há os passeios de bicicleta e mais coisas ainda que se repetem ano após ano. E há eu (e agora com a companhia das minhas filhas) que gosto de passar as tardes nos meus trabalhos manuais. Aproveito para me desforrar do tempo que não tenho em Lisboa o resto do ano para fazer tudo o que gostaria e que vou compilando numa longa lista de "desejos".
Já não sinto nenhum embaraço em dizer que a máquina de costura me acompanha nesta migração para sul. 
E este ano levei comigo uma manta/colcha para a cama do Miguel que fazia parte dos pendentes e que tinha começado exactamente há um ano atrás.
aqui tinha falado da imensa pilha de camisas do J que vou acumulando. Desta vez recorri novamente a este monte e utilizei algumas para fazer esta manta.
Aproveitei ao máximo o tecido e por isso em alguns dos quadrados vêem-se costuras das próprias camisas que resolvi manter. Para ser um bocadinho mais rápido a unir decidi fazer quadrados de 25cmX25cm (depois demorei um ano a completá-la mas isso é um pormenor). A única preocupação consistiu em distribuir os padrões de modo a ter um ou no máximo dois por fila. Sendo o meu filho um sportinguista ferrenho lembrei-me de fazer o viés com 2,5cm de largura em verde liso e que combinava na perfeição com o único padrão que não era em azul - o das riscas verdes e brancas fininhas. Simplifiquei, e para o interior escolhi um tecido de algodão leve parecido com ganga.
A escolha do verde não foi só por causa do Sporting, na realidade o meu receio foi que o meu querido adolescente não quisesse que eu mudasse uma "vírgula" daquele antro que passa a ser o quarto de qualquer rapaz ou rapariga a partir de certa idade (leia-se adolescência).
E como à conta da dita da manta resolvi mudar a disposição dos móveis ainda era mais arriscado (é claro que os pôsteres que estão na parede não mudaram um milímetro que fosse).
Mas não foi o caso. Até correu muito bem e até já me pediu mais umas pequenas coisas das quais uma ainda hei-de registar aqui. 
Para acompanhar a manta fiz as fronhas de cinco almofadas pequenas. Para me dar menos trabalho, e não ter que escolher entre botões ou fechos éclair no acabamento, aproveitei a frente das camisas e foi só cortar e coser.
Ficou simples e o meu filho gostou :)
(falta-me dizer que estas fotografias também foram tiradas pela Mariana)

conversas soltas XI

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Estas fotografias foram tiradas pela Mariana em vários momentos ao longo das nossas últimas férias (que devem ter sido das melhores que alguma vez tivemos) deste Verão na Grécia.
E esta conversa aconteceu num final de dia quando voltávamos as duas da praia para nos arranjarmos para jantar: 
Mariana: "Mãe vou pedir-te uma coisa mas não fiques zangada comigo. Pode ser?"
Eu: "Claro que não minha querida. Diz."
Mariana: "Nem triste, ok?"
Eu: "Não vou ficar triste."
Mariana: "Então o que eu queria pedir-te era para cada vez que eu peço para tirar fotografias com a tua máquina não estares sempre a dizer que eu tenho imenso jeito. E que tiro fotografias fantásticas e coisas assim."
Eu: "Está bem! Combinado! Mas qual é o problema?! Se fazes bem uma coisa não tem mal que eu te diga a verdade! Ou achas que não?"
Mariana: "Sim. Eu sei. Mas eu quero continuar a ter prazer a tirar fotografias e a gostar de o fazer ... Quero poder gostar de o fazer ... Fotografar é uma coisa que eu gosto de fazer e assim ... depois acho que não vou conseguir continuar a gostar ... É difícil para mim ... Percebes mãe?"
Eu: "Não precisas de explicar mais Mariana. Claro que sim. Percebo perfeitamente. Desculpa querida, não vou tornar a fazê-lo. Prometo."

Casa Milà

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Ou "La Pedrera".
Com isto já deve ter dado para perceber que sou uma admiradora incondicional do Gaudí e de tudo o que ele fez. E por isso esta foi a minha escolha para a principal visita do segundo dia em Barcelona. A Casa Milà é um dos sítios a não perder se se visitar Barcelona.
Adoro visitar casas, principalmente destas assim com histórias do passado.
Desenhada por Antonio Gaudí, mesmo no início do século XX, acho absolutamente fantástico o modo como foi imaginada e não consigo imaginar o quanto à frente deveria estar do seu tempo.
Quanto a mim, um tributo extraordinário ao "modernismo" e à "modernidade" em simultâneo.
Só a entrada do edifício é digna de ser apreciada pela beleza da decoração e pelas "linhas". A organização da "visita" é óptima e assim que entramos somos logo encaminhados para o topo do edifício onde a temos uma "vista" de 360º sobre a cidade além de nos deslumbrarmos com o desenho das chaminés super originais (Gaudí achou que as chaminés normalmente sem interesse poderiam ser algo mais).






A seguir uma exposição muito interessante sobre os detalhes arquitectónicos e de construção do edifício.
Gaudí era uma pessoa extremamente religiosa e crente em Deus. Foi interessante observar a fixação com o número 33 (a idade em que morreu Jesus) e a quantidade de vezes em que este número aparece em várias situações. No caso deste edifício, alguns elementos como por exemplo o número de janelas (espero não estar a inventar, mas acho que este era uma das situações ...) eram múltiplos deste número. Na Sagrada Família já sabia que estava carregada de simbologias destas, mas num edifício de habitação é completamente inesperado; talvez seja uma coincidência ...

E a seguir passámos aos interiores de um apartamento mobilado para uma família da alta burguesia catalã dos inícios do século passado.
Esta é a parte que mais gosto :).


O quarto das crianças.
O quarto da empregada que ficava logo ao lado do quarto das crianças.
Um quarto de arrumos de malas e coisas assim.
O quarto da costura e de engomadoria (adoro, adoro e adoro este :):) ).
A vista de uma das janelas interiores da casa. Se bem me lembro só um dos quartos (o de arrumos) é que não tinha qualquer janela.


A cozinha que também era o "máximo".
Uma casa de banho.
A vista da varanda de um dos quartos.
A mobília de um dos quartos principais com o pormenor do berço.
Um pormenor da casa de banho adjacente ao quarto anterior em tons de rosa (muito feminina).
E por fim a sala de jantar.
Houve algumas divisões (poucas) que não consegui fotografar ou porque tinham demasiadas pessoas ou porque a luz não era suficiente.
E chegámos ao fim da visita à Casa Milà.
Foi a segunda vez que a visitei mas devo dizer que gostei tanto como da primeira vez. Os meus filhos adoraram, por isso não me enganei com a escolha que fiz.
Depois andámos sem destino o que também é bom quando se quer conhecer uma cidade.
Com pena minha, porque o tempo não dava para tudo (e para não passarmos todo o tempo dentro de museus), ficou para outra oportunidade a possibilidade de visitar o Museu Picasso e o Museu de Design (que inclui o de "design de Moda") que ainda não conheço e que acho que deve valer a pena visitar.
Digamos que apesar de curta a visita a Barcelona foi um sucesso, os meus filhos adoraram e tiveram pena de não termos ficado mais uns dias.
Fica para a próxima ... quem sabe ... um dia ... :)

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